As Personagens do autocarro

  
As viagens de autocarro no Sri Lanka parecem uma novela mexicana, aqui tudo acontece…

Elenco

 Personagem número 1 – “chefe da estação”

  
  
A personagem que nos indica qual o autocarro que devemos apanhar, e verifica sempre se estamos a perceber, e pergunta porque não fomos no autocarro anterior apesar de ter o mesmo destino?

´not very confortable madam´ e perguntam vocês, o que ele entende por confortável? não sei porque para mim são todos iguais só mudam as cores do interior e do exterior, os decibéis da coluna e o filme que passa na televisão, e mesmo assim…

uma coisa impressionante é que até cumprem o horário, algo que eu não estava nada à espera, mas depois de conhecer a segunda personagem, o motorista, percebi.

Personagem número 2 – motorista

  
Não sei porque o meu irmão gosta tanto de ver desportos motorizados, na televisão ou mesmo andar numa super máquina num autódromo qualquer, tenho que lhe falar no Sri Lanka. Aqui temos dos trajectos com a maior adrenalina de sempre, autocarros velhíssimos a atingirem 100-120km/h numa estrada onde mal cabe um carro em cada faixa com curvas, contracurvas e ultrapassagem a uma unha de distância de outros veículos, pessoas ou animais, mais parece uma prova de ultrapassagem de obstáculos, o primeiro a bater perde! E é muito mais barato que num rally ou num autódromo.

Dica – se quiserem viver esta experiencia e esta adrenalina aconselho a não ficar muito no inicio do autocarro já que o pára-brisas frontal é bastante grande e não vale a pena estarmos sempre a ver a morte à nossa frente, depois torna-se difícil relaxar e apreciar a paisagem, por isso um pequeno espacinho num banco do meio ou lá mesmo para o fundo do autocarro é mais recomendado.

Ah estava a esquecer-me de um pormenor importantíssimo, normalmente este personagem tem a famosa unhaca para que o dedo chegue mais facilmente a buzina, que aqui é um botão junto ao volante, que está praticamente sempre a tocar.

Estes senhores também são muito devotos, existe sempre, uma imagem de buda ou de algum deus hindu ou escritura do alcorão ou um santo, ou todos, não vá haver um maluco qualquer a acelerar na estrada e assim ponha os seus passageiros e autocarro em risco pelo sim pelo não é melhor ter protecção divina, uma ajudinha divina nunca fez mal a ninguém e mais vale prevenir que remediar.

  
  
  

Personagem número 3 – o revisor.

   
O famoso “pica rupias (0.16-os rondam as 20-ta e muito “, personagem astuta que sabe exactamente a quem cobrar bilhete primeiro, sem que ninguém fique com uma viagem à borla, mesmo aqueles que pensam que por irem na zona da porta pendurados não pagam e assim faz uma gestão dos poucos centímetros que normalmente restam do autocarro para caber sempre mais um.

O facto destes turistas agora serem uns pé rapados e quererem andar de autocarro com a casa toda a traz, causa uma grande dor de cabeça a esta personagem, porque a gestão dos cm2 fica muito mais difícil!

Tem quase sempre barriguinha, provocada quase de certeza pela dificuldade em arranjar locais para comer com comidinha saudável da mãezinha, já que andam na estrada todos os dias e como se sabe é difícil arranjar comida saudável, têm de comer o que há coitados…. Esta barriguinha, dificulta e muito a sua mobilidade no pouco espaço que sobra no corredor do autocarro, nada que não seja contornado com um belo ‘chega pra lá’ no passageiro que está a ocupar os seu espaço pago no corredor.

Esta personagem tem outro grande papel dentro do autocarro é ela que muda os DVDs com os vários videoclips/filmes que vão sendo visualizados no trajecto.

Tenho a dizer que são um pouco monótonos em termos de conteúdo, já que o enredo anda sempre a volta do mesmo, a donzela e o príncipe felizes eis se não quando, o príncipe a leva a passear e bela donzela apaixona-se pelo chauffeur, ou pelo empregado de mesa, ou pelo cunhado ou pelo melhor amigo, o que leva sempre a um final de tragédia grega com mortos e feridos, os ciúmes são tramados…

O pior de Bollywood passa na “Bus TV”.
Personagem número 4 – os vendedores

  
  
  

Nos autocarros vende-se de tudo, raspadinhas, lotarias, fruta, salgadinhos, aperitivos, tabaco calendários, roupa, revistas religiosas, guloseimas, etc.

Aqui os autocarros são autênticos mercados ambulantes. Cada um tem o seu pregão, inconfundível, não tem nada que enganar.

Estas personagens entram e saem do autocarros em andamento, não podendo demorar muito já que se o fizerem têm de pagar bilhete, ficam sempre no máximo 1km, ou um pouco mais se a venda compensar. Entram pela porta da frente e saem pela traseira ou vice-versa, o custo destes bens essenciais aos passageiros rondam as 20-50 rupias (0.16-0.32 euros).

  

Figurantes

Casalinho de namorados, que ocupam apenas um banco já que a donzela vai tão agarradinha ao príncipe que cede quase por completo o seu lugar e o “pica” agradece, mais um que ele pode deixar entrar.

  

Turista, sentado sempre com a sua mochila pequena ao colo, tentando mexer as pernas e os rabo para não escarificar, dada a dificuldade de mobilização, em 20cm2. Sempre que há uma paragem, os olhos destes fazem uma inspecção ao local onde ficou a sua mochila maior, para se certificar que ninguém se lembrou de a levar para casa.

Este figurante tem de ter sempre um smartphone na mão para gravar em jeito de recordação esta grande odisseia que é viajar de autocarro no Sri Lanka.

  
O miúdo da birra, aquele que já entra no autocarro amuado e que nem um pequeno hello transmite mesmo com a insistência da mãe para ser gentil com as pessoas.

O bebé que vai ao colo da mãe e não usa fraldas, apenas uns simples calções que são mudados cada vez que há “número 1 ou 2”.

  

A matriarca, a quem é sempre cedido lugar, a idade sempre é um posto mesmo aqui.

  
Os monges, que têm direito a lugares nas primeiras filas do autocarro, que não pagam bilhete e que mesmo que esses lugar estejam ocupados são rapidamente desocupados porque não podemos fazer um monge esperar….

E assim se faz o filme das viagens de autocarro pelo Sri Lanka.
Dicas

– aceite os conselhos o ´chefe da estação´, o homem percebe daquilo

– mochilas grandes entram primeiro e aconselho a não ficar muito longe das mesmas para não as perder de vista

– não sentar na primeira fila que são lugares prioritários para monges e se por acaso entrarem no autocarro têm que lhes ceder o lugar e nunca se sabe quando haverá outro

– lugar ideal a partir do meio do autocarro, não se visualiza a estrada por inteiro o que é óptimo, pois não fazemos a viagem com a sensação de morte iminente, temos as mochilas debaixo de olho já que costumam ficar na última fila, zona ideal para visualizar o videoclips/filmes que passam no autocarro, ideal para ver tudo o que se vede no autocarro e ter tempo de negociar

– abrir a janela, ar condicionado natural se não gostarem de sauna

– o autocarro não pára apenas abranda para sair e as pessoas entram, cuidado ao sair, destreza total para sair do mesmo em andamento.

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