Escala no aeroporto

O tempo entre ligações chateia sempre as pessoas que estão ansiosas para chegar ao seu destino ou deprimidas por estarem quase a regressar à rotina de todos os dias depois de uma férias.
Eu gosto de esperar nos aeroportos. Primeiro porque significa que fui a algum lado, fui viajar, saí da rotina, fui conhecer coisas novas e regressei mais rica como pessoa e como ser humano…

Quando espero nos aeroportos para que chegue a hora do meu voo, gosto de imaginar as vidas que cada pessoa que está ali perto de mim leva.
O que fará aquela mulher de meia idade que vem com o seu trolley e tem uma cara de sono com olheiras até ao chão mas que insiste em passar os níveis de Candy Crush? Será uma viajante profissional, foi apenas visitar a família e esta de regresso ao seu país, ou teve uma extenuante semana de trabalho sempre em viagem?…

As senhoras que viajam em trabalho estão em espera no aeroporto com uma cara de quem foi privada de sono nos últimos anos mas momentos antes de saírem pela porta das chegadas do aeroporto de destino, colocam maquilhagem que as fazem parecer que acabaram de chegar de um trajecto de 10 minutos de carro depois de saírem de suas casas.
Os homens de negócio já não são assim. O senhor do lado que apesar de ter uma cara que parece que passou pela maior privação de sono de sempre, continua a escrever sem parar e a preencher formulários, quer no computador quer em papéis que traz numa grande pasta e faz contas e mais contas numa calculadora enquanto bebe um golos de café, e manda mais e-mails e olha insistentemente para o relógio para ver se já está na hora do embarque.
E os casais que vêm com os filhos, estes devem ir para umas férias, mas intriga-me aqueles que vêm com filhos em idade escolar, não é altura de férias escolares, mas eles andam sempre de um lado para o outro, será que estudam em casa? Não me parece, pelo estilo de mochileiros que têm, será que justificam as faltas? Gostava de saber porque nunca vejo portugueses assim mas sempre franceses, holandeses, alemães, espanhóis…

Os miúdos normalmente são muito bem comportados, entretidos com o tablet, ou com um livro ou a ver as fotos das férias. Trazem normalmente mantimentos com eles, raramente os vejo a comer no aeroporto, os víveres são quase totalmente trazidos pela mãe, que já sabe que alimentar filhos em crescimento num aeroporto é um rombo no orçamento de qualquer viagem.

Depois também há os casais de reformados que aproveitam a ausência de horários para cumprir para viajar e conhecer o mundo, estão sempre impecáveis, parece que acordaram na sua caminha depois de uma bela noite de sono, bebem o seu cafézinho tranquilamente lêem o jornal ou um livro, neles parece que o cansaço não existe, estão sempre com um ar fresquíssimo.
Há também aqueles que viajam em pequenos grupos, equipas desportivas, grupos de agências de viagem, aqui há uma mix, uns que parecem zombies que não encontram uma posição para descansar e outros que só querem é comer qualquer coisinha e ir explorar o aeroporto, ver todas as lojas duty free, provar alguma iguaria que aí haja para provar ou ver um filmezinho para passar o tempo.
Depois ainda há os viajantes independentes que querem só um local que possam cochilar um pouco que para pagar menos de voo escolheram a ligação com mais tempo de espera, e que andam sempre à procura de uma tomada para poder carregar o seu smartphone ou o seu computador portátil para ver um filme ou para tentar aceder à Wi-Fi que normalmente há nos aeroportos. Hoje em dia a saga em busca de uma tomada livre é cada vez maior, e elas escondem-se nos lugares mais estranhos, mas se vemos alguém sentado no chão em vez de um banco de certeza que esta ali atrás daquele vaso ou daquele biombo uma tomada.
Há também ainda os casais de namorados ou casados de fresco, em que o homem vai à frente e parece fazer tudo o que a sua amada quiser, ele é café, ele é o chocolate da duty free que ela adora mas que faz um filmezinho que não quer comprar porque engorda, mas que quando o seu amado lhe traz, este tem direito a um beijinho todo apaixonado. Aqui normalmente é sempre o homem que espera tempos infinitos à porta da casa de banho para que a sua amada coloque a maquilhagem, faz tudo ou quase tudo para sair pronta para uma festa, ele espera com o carrinho, com o trolley, com os sacos da duty free, senta-se, levanta-se, que isto é coisa para demorar pelo menos uma meia horita.
Depois há aqueles viajantes sem hora para chegar que já estão habituados a estas andanças, que dormem em qualquer cantinho do aeroporto e que normalmente até conhecem os melhores spots para um sono mais tranquilo.
O aeroporto para mim é um dos sítios mais férteis de histórias para contar. Acho que qualquer um que se dedicasse não precisaria de sair do aeroporto para viajar, se calhar é isso que acontece às centenas de empregados do aeroporto, vão viajando um pouco por todo o mundo com cada cliente que atendem.

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